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Jackson Alvino e a enchente que revelou um líder

 


Há momentos na vida pública em que discursos, articulações políticas e promessas dão lugar ao teste mais duro que um gestor pode enfrentar, a capacidade de liderar quando sua população mais precisa. E foi exatamente esse cenário que Santa Rita viveu diante das históricas cheias do Rio Paraíba e do Rio Preto no último final de semana.

Jackson Alvino, que chegou ao comando da Prefeitura em meio a desconfianças, desgaste político, rompimentos e a pesada herança administrativa deixada por uma gestão marcada por sérios problemas estruturais, especialmente na saúde pública, talvez tenha enfrentado agora sua prova mais decisiva desde que assumiu o município.

Depois de um 2025 marcado por sabotagens internas, turbulências políticas e o desafio de reorganizar financeiramente e administrativamente uma cidade complexa, Jackson iniciou 2026 imprimindo uma marca de reconstrução. Obras, novos equipamentos de saúde, pavimentação, articulação política e busca por recursos começaram a desenhar uma gestão que tentava colocar Santa Rita novamente em movimento.

Mas foi na tragédia que emergiu algo maior que obras ou números.

Quando as águas avançaram, destruindo casas, desalojando centenas de famílias e mergulhando milhares de santarritenses em um cenário de dor, medo e perdas, Jackson não se escondeu atrás da liturgia do cargo. Foi para as ruas, para os abrigos, para as áreas de risco. Assumiu pessoalmente a linha de frente.

Desde as primeiras horas da crise, sua presença foi constante. Coordenou equipes, delegou ações, mobilizou secretarias, estruturou abrigos, liderou campanhas de arrecadação e, acima de tudo, esteve onde o povo estava. Em momentos críticos, como na retirada de famílias da comunidade Canaã, sua atuação deixou de ser apenas administrativa para se tornar humana.

É justamente nesses episódios que se constrói a imagem de um verdadeiro líder. Não apenas pela capacidade de gerir recursos, mas pela disposição de enfrentar o caos ao lado da população.

Ao lado do governador Lucas Ribeiro, Jackson mostrou força institucional, mas sobretudo demonstrou algo que Santa Rita observou atentamente, coragem política, sensibilidade social e capacidade real de comando.

A enchente devastou lares, destruiu histórias e provocou sofrimento profundo. Mas também serviu como divisor de águas político e administrativo.

Se antes havia dúvidas sobre sua capacidade de governar, o momento mais difícil de Santa Rita em décadas começa a consolidar a percepção de que Jackson Alvino não apenas ocupa o cargo de prefeito, mas pode efetivamente exercer a liderança que a cidade necessita.

Grandes líderes não são definidos apenas em tempos de estabilidade. São forjados na crise.

E, para muitos santarritenses, Jackson acaba de atravessar sua maior prova.


Sobre Manno Costa

Jornalista e radialista. Editor executivo do portal News Paraíba. Cursou Comunicação Social na UFPB. Iniciou sua carreira profissional em 1999.

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