Teste de fogo: ser ou não ser? Oposição ou situação?
A Câmara Municipal de Santa Rita vive mais um daqueles momentos que costumam separar discurso de prática. Um capítulo decisivo, daqueles que não permitem meio termo, que vai medir, de forma concreta, o real tamanho da bancada do prefeito Jackson Alvino no Legislativo.
O envio do veto do Executivo às emendas parlamentares apresentadas por vereadores da oposição acirrou o clima político e colocou alguns parlamentares diante de um dilema que não admite mais ambiguidades. Agora, não há espaço para o conforto do “em cima do muro”.
Os vereadores irmão Josivaldo, David Santana e João Alves entram, talvez sem querer, em um verdadeiro teste de fogo. Diante do veto, precisarão fazer uma escolha clara e pública. Ou votam com a oposição, assumindo definitivamente essa posição, ou optam pela manutenção do veto, firmando de vez um compromisso com a base governista.
As apostas estão lançadas. E os efeitos dessa decisão vão muito além de uma votação pontual. Caso os três vereadores optem por derrubar o veto, o cenário muda. Projetos administrativos podem ser travados e o governo Jackson Alvino passa a ficar condicionado às emendas da oposição. Não se trata apenas de ganhar ou perder uma votação, mas de enviar um recado político claro sobre quem manda, quem sustenta e quem resiste.
Essa decisão carrega um peso simbólico enorme. Ela define, de fato, quem é governo e quem é oposição dentro da Câmara Municipal de Santa Rita.
O detalhe é que o ano legislativo ainda nem começou oficialmente, mas já nasce marcado por rupturas e sinais claros de tensão política. Dois vereadores romperam com o governo municipal antes mesmo do início efetivo dos trabalhos, e as consequências foram imediatas. No caso do vereador Marinaldo, a resposta foi dura e direta. Sua irmã, Edilene, então secretária de Educação, foi exonerada logo após a votação do orçamento municipal. Um gesto que deixou claro que, dentro da gestão, não há espaço para ambiguidades políticas nem para o famoso “uma coisa é o mandato, outra é a gestão”.
O recado foi dado. E foi entendido por todos.
Agora, os holofotes se voltam para irmão Josivaldo, David Santana e João Alves. O desfecho dessa votação pode redefinir completamente o equilíbrio de forças dentro da Câmara. Hoje, o prefeito conta com cerca de nove vereadores em um universo de dezenove. Um número que, embora relevante, é instável diante das constantes dúvidas, silêncios estratégicos e votos divergentes dentro da própria base.
Jackson Alvino já deixou claro, nos bastidores e nos gestos, que não pretende mais conviver com incertezas. Estar no governo e votar contra deixou de ser uma opção. A régua subiu. A tolerância diminuiu. O momento exige posição, não discurso.
Talvez estejamos, de fato, diante do fim da novela. Ou, no mínimo, do capítulo em que os personagens são obrigados a mostrar quem realmente são.
A pergunta ecoa nos corredores da Câmara, nos bastidores da política e na opinião pública de Santa Rita: afinal, quem é oposição e quem é governo?
Ser ou não ser?
Eis a questão.
Crédito imagens: Reprodução/Instagram


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